Mediocridade e Segurança Pública.

 

        As pessoas clamam por mais segurança, os Policiais Militares morrem em série, os comunicadores de rádio, impedidos de criticar, repetem diariamente reclamações populares identificadas e reais de assaltos e violência nos bairros, municípios e região metropolitana, incendeiam-se ônibus e veículos particulares, a Polícia barafundada aumenta o caos do trânsito (também problema de Segurança Pública, diga-se de passagem) com ineficazes “blitzen”, providencialmente denominadas “burras”, por perturbarem os cidadãos de bem e inatingirem (não atingirem) criminosos, os homicídios dolosos aumentam, assim como, o roubo e furto de veículos, pascácios institucionais criam metas de criminalidade (podem morrer 30 não 40, podem roubar 100 não 200), e por aí caminha a humanidade que vive atualmente no Rio de Janeiro e em seus arredores e, pelas, excepcionalmente negativas, perspectivas eleitorais, caminhará também o Brasil. Valha-nos Deus!

 

        O poder parece que é da cocaína e da maconha, eis que, este escriba em determinada manhã de domingo recente (03/07/16) com pneu furado na Avenida Brasil, procura um posto de gasolina, onde é orientado a um borracheiro nas proximidades, pretensamente protegido pela presença em PB de uma PATAMO e de uma RP (viaturas ostensivas com guarnições da PMERJ) adentra de motocicleta identificada da NitTrans, com colete e uniforme de agente de trânsito, mister de quem faz apologia do exemplo, e a menos de 50 m da viatura é abordado por um jovem menino portando uma pistola calibre 45 que estava sentado portando –a ostensivamente numa cadeira, em meio a várias mulheres, crianças e pessoas da comunidade.

 

   - Que isso?! Vai onde? Tira o capacete! Que roupa é essa?

        Resposta imediata e contida, obviamente, pelas circunstâncias.

   - Sou motociclista em Niterói, furou o pneu traseiro estou indo ao borracheiro!

   - Que está fazendo aqui, se é de Niterói?

   - Vim para reunião sobre Olimpíada, já estou de volta!

   - Vai devagar, desmontado pela direita.

   - Sim, senhor.

 

        Ordem cumprida, 40 m à frente, outro menino, este com fuzil na mão.

   - Vai pra onde, que roupa é esta?

        Resposta repetida.

   - Tira as luvas e segue devagar, cadê teus documentos?

   - Não ando com documento por causa do sol e da chuva na motocicleta, só estou com dinheiro para pagar o borracheiro.

   - Ok. Da próxima vez, traz documento, senão não volta!

   - Sim, senhor.

 

        Pneu consertado ao preço de R$ 25,00 (vinte e cinco Reais), pergunto o nome do jovem e excelente profissional (Igor), pergunto também o nome do lugar, Vila do João, e como retornar ao Posto BR na Av. Brasil, “2° à direita e primeira à esquerda, sai em frente ao posto.”  Obrigado.

 

        Mais duas abordagens de jovens com fuzis antes de chegar ao posto e retorno a Niterói, vivo.

        No horário de 13:30h de um domingo, de céu azul e sol brilhante muitas pessoas presenciaram estes fatos com absoluta naturalidade.

        Menos este escriba que em 04 de março de 1969, por concurso vestibular, começou a estudar no Curso Superior de Ciências Jurídicas da antiga PMEG, a Segurança Pública.

 

        Que viu, em 1981, já no posto de capitão PM, o hoje General Nílton Cerqueira, assessorado pelos srs Coronéis PM Fernando Antônio Pott e Helmo Dias, provar ao mundo que uma ação competente e proba da já PMERJ, através da capilaridade de suas unidades em todo ESTADO, reduz a níveis residuais a incidência criminal contra o povo, independentemente das questões sociais.

 

        Menos ainda para quem, ainda tenente coronel PM moderno, assumiu o comando do então “pior Batalhão da PM” situado em Rocha Miranda, 9° BPM, com estampa de primeira página de jornal, em 18 de janeiro de 1994, “o abacaxi da PM”, cinco meses depois da tétrica e tristemente conhecida “chacina de Vigário Geral”, e o transformou já no próprio mês de janeiro, no BPM de melhores resultados operacionais do Brasil, cujas metas criminais atingidas foram sempre ZERO, inclusive, nos engarrafamentos de trânsito.

 

        Muito menos ainda, para quem em maio de 1995 assumiu o comando do 23° BPM- Leblon, ainda TenCel PM, agora com o curso maior, responsável pelo exercício da autoridade de polícia ostensiva e de preservação da Ordem Pública, na Rocinha, Vidigal, Ipanema, Leblon, São Conrado, Gávea e parte do Jardim Botânico no Rio de Janeiro e com efetivos mínimos já existentes “ZEROU” o comércio de drogas e a violência criminal nas comunidades e em toda área, sendo promovido por “merecimento” ao último posto da carreira, em abril de 1996.

        Não é possível que a débâcle política do Rio de Janeiro no contexto nacional tenha anestesiado tanto a sociedade em seus mais diferentes e múltiplos segmentos, como OAB, clérigo, empresariado, Sindicato de Classe, representantes patronais, Cultura, Saúde, Maçonaria, entre outros, e os tenha transformado em ideólogos, apologistas ou inocentes úteis do poder da cocaína e da maconha (drogas) na ambiência carioca alastrada à fluminense!

 

        Nem em tempos brizolistas, chaguistas, garotinistas e outros, viu-se a repetida, insistente e diuturna repetição de tragédias familiares, mortes de crianças, jovens, mulheres, execuções policiais truculentas e tantas outras mazelas ocorridas em consequência catastrófica de apodrecida política e gestão de Segurança Pública, que multiplicou gastos e efetivos e que só gerou aumento de insegurança, repercussão negativíssima no Brasil e no exterior, prejuízos incalculáveis ao povo e ao erário, ser, tão blindada pela mídia e segmentos respeitados pela população, por políticos, entende-se perfeitamente.

        Não é mais possível fingirem que não percebem a secular realidade de absoluta incompetência policial na preservação da Ordem Pública e na defesa da incolumidade pessoal expressas no caput do art. 144 da Constituição Federal, que impera no Estado do Rio de Janeiro.

        É impossível que não se perceba que as lambanças proladas neste decênio, tais como:

 

   - Eliminação de todos os antigos DPO e PPC.

 

   - Extinção de importantes unidades da PM como o 1°, 13° e 11° BPM, além das tentativas de “venda” do Quartel General e do 2° BPM.

   - Criação Superlativa de “Unidades” de Polícia PA, sem rancho, sem almoxarifado, sem sala de aula, sem banheiros, sem pátio, sem apoio logístico indispensável para grandes efetivos Policiais Militares, com comandos locais inexperientes.

 

  - Declarações esdrúxulas de que “quartel não serve para nada”, sem ter aprendido o que significa isto.

  - Comparação da PM com o pato, sic...

  - Eliminação das paradas diárias, instrução de manutenção, guardas dos quartéis e outras importantes estruturas de apoio policial militar.

  - Tentativa de desqualificar a formação do Oficial Comandante de tropa e Autoridade Constitucional de Polícia Judiciária Militar e da própria Justiça Militar Estadual, nos Conselhos Permanente e Especial de Justiça.

 

  -Entre outras.

        Estão, estiveram e se não forem estancadas, continuarão protegendo bandidos,criminosos e traficantes de drogas, em absoluto detrimento do constitucional direito do povo brasileiro à Segurança Pública, “ex vi” o caput (preceito já mencionado) do art. 144:

“Segurança Pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos.”

        Como Raul Seixas, em “Eu nasci há dez mil anos atrás” (letra de Paulo Coelho), concluo:

“Aquele que provar que estou mentindo eu tiro o meu chapéu.”

 

 

Datissima Maxima Venia

Paulo Afonso Cunha

Presidente da NitTrans S/A

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