A incompetência evolutiva

 

        Dois célebres personagens marcaram a seus tempos a realidade e cultura brasileiras, com ideias que estão mais atuais do que nunca.

 

      O conhecido “poeta dos escravos”, Castro Alves, que bradou desconsolado ao “Deus dos desgraçados”, diante da covardia e desumanidade dos navios negreiros, que conduziam os africanos como “coisas”, para serem comercializados nas praças, mercados e engenhos, no século XIX, antes da abolição.

 

      Já o jornalista e escritor Sérgio Porto, cognominado Stanislaw Ponte Preta, nas décadas de 50 e 60, foi figura marcante na vida carioca ao escrever os lendários livros do Febeapá, ou seja, do “Festival de Besteira que Assola o País”, parece-me que deixou os de números 1, 2, 3, 4 e 5. Se vivo hoje, estaria, certamente, no 5000.

   

      Particularmente, o momento atual da Segurança Pública no RJ, inspira-me a evocar estes dois mestres, na medida em que leio, acompanho, repercuto e observo os horripilantes acontecimentos diários.

 

      Ao Deus dos desgraçados eu clamo pela agonia, letargia e sangria institucional da Corporação, na qual tive a honra de ingressar em 1969, por vestibular de Direito, após maravilhoso curso colegial completo na magnânima Escola Preparatória de Cadetes do Ar, da FAB, nos idos de 1966/68.

 

      E persisto: Senhor “Deus-pai dos desgraçados”, salve a Corporação de Tiradentes, que me iniciou na Ciência Jurídica, aos 18 anos, que me ensinou a ler Machado de Assir, Carlos Drummond de Andrade, Arnold Medeiros da Fonseca, Arnold Wald, entre outros, da avassalante sanha da mediocridade, ignorância técnico-profissional e (tenho que dizer!) falaz e comprometedora corrupção sistêmica, se possível elimina-nos dos que chegaram ao fim da carreira, sem entender a grandeza institucional da profissão policial militar, querendo ser civis ou enxergando idiossincrasia no perfeito binômio Policial Militar!

 

      Senhor! São 435 órfãos inocentes em seis anos!

 

      Senhor! Como aguentar os capatazes submissos que ignoram o fundamento maior da Policia Ostensiva, do Direito Administrativo da Ordem Pública, da Justiça Militar Estadual, da força pública única e singular, consagrada pelo povo brasileiro em todos os ordos maiores desta nação!

Senhor! Desgraçado é pouco para os pintores deste quadro multiputrefato!

 

      E aí reflito sobre a obra de Sergio Porto e a multiplicação insuportável dos Festivais de Besteiras, como o da desmilitarização, venda de quartéis, UPP, polícia de proximidade, fuga covarde da Policia de Trânsito, da polícia de segurança externa de estabelecimento penal, da Instrução diuturna, do Ensino formador, do aprimoramento técnico e das magníficas hierarquia e disciplina, como corolário de uma força pública honesta, organizada e competente!

 

      Ao compor o famoso “samba do crioulo doido”, sem nenhum vestígio de discriminação e racismo, o genial STANISLAW preconizou a Segurança Pública no Rio de Janeiro, com reflexos no Brasil destes últimos 30 anos, mormente no último verso:

“A Leopoldina virou trem, D. Pedro é uma estação também.”

 

      Nosso povo não merece esta acachapante associação das autoridades políticas e da polícia com as drogas, com a violência, com a criminalidade e com a condescendência criminosa!

Nosso povo não merece mais a pecha de ser bandido por ser pobre, ser revistado e humilhado burramente em ônibus e construções, quando se sabe quem são os maiores ladrões do Brasil e do RJ! Mais que ladrões gordos e ratos magros, são incompetentes ao extremo!

 

      “Se gritar pega ladrão, não fica um!” é estribilho de samba e veste a carapuça na horda de “especialistas” de Segurança Pública, que parece não acabar nunca. Gostaria de perguntar às mães deles se são a favor da desmilitarização da PM!

 

      Fora vagabundagem oficial!

 

      Chega!

 

      Por Deus, não fui punido à época (1989 – 1990), quando Major P/3 do BPChoque, instado pelo mestre da Banda formada na quadra em “guarda de honra”, sugeri que fosse entoada a canção do saudoso Bezerra da Silva, chamada “reunião de bacanas”, gerando verdadeira debandada de autoridades constituídas à época, sem que a música fosse cantada. Poderia repeti-la, acrescentando: “Pega, incompetente!”

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